USK Fortaleza. O local escolhido foi a icônica Praça do Ferreira,
localizada no centro histórico de nossa capital. Tivemos a participação
de 14 sketchers, que tentaram, dentro do possível, registrar edifícios,
espaços urbanos e personagens do local. O relógio da hora, marco
simbólico do espaço, aparece em vários registros por sua centralidade e
protagonismo, sendo um evidente elemento vertical em um tabuleiro de
pequenas árvores, bancos de praça, banquinhas de jornal e elementos do
tipo. De igual importância, o Cine São Luís, defronte ao relógio da hora
e testemunha de uma época de ouro da cidade, também foi parar nos
cadernos e folhas dos sketchers, com toda sua pompa, seu mármore, seus
lustres e sua atmosfera classuda. Registramos neste dia alguns
pergaminhos de nossa história construída.
A prática co-relata ao
sketch urbano, a de sentir a cidade e sua atmosfera, deu-se também de
forma clara: dentre vários problemas de ordem urbanística e social
percebíveis a olho nu, foi inevitável sentir o abandono desta praça no
que diz respeito às políticas de segurança pública. Ocorreram situações
de constrangimento e ameaça de agressão sem que houvesse nas imediações
nenhum policiamento visível para quaisquer providências. Mas o grande
vigia da paz é um povo que ocupa seus espaços públicos de forma
tolerante, democrática e vigorosa. O que conferiu real sensação de
segurança foi, em dado momento, uma batalha de MC´s que ocuparam
provisoriamente a praça, com suas aparelhagens de som e sua irreverente
estética verbal e paramentária. Na prática, é esta ocupação legítima de
manifestações artísticas, comerciais e culturais o que confere segurança
de fato, de uma forma mais civilizada que presença – e neste caso,
ausência – de policiamento.
No momento da batalha dos Mc´s,
alguns sketchers saíram do foyer do Cine São Luís para novamente
rabiscar a praça, inclusive os cantores e seu público. Porém, o cair da
tarde foi revelando aos poucos outro grave problema social que tem a
praça como palco: a moradia na rua. Com o fechamento dos comércios e o
paulatino esvaziamento do espaço, moradores de rua foram se achegando
àquilo que ainda podem chamar de casa, as marquises das lojas, os bancos
da praça e as árvores. Algumas obviedades, que nos passam batidas e que
são meros conceitos vagos no discurso político, afloram em atividades
como o sketch urbano, que tem como natureza a presença e a observação:
primeiro, que deve o estado estimular vigorosamente a ocupação dos
espaços públicos com arte, feiras, exposições e toda sorte de
manifestações culturais próprias ou interessantes àquela sociedade; e
segundo, que deve o poder público se penitenciar de sua omissão nas
políticas de assistência social através de um programa que restitua
dignidade à populações que tem a rua como lugar único de moradia.
É isso, caros sketchers. Vejam os desenhos e fotos do evento.
