do MAC (Museu de Arte Contemporânea, ilustrado neste post), adora
curvas. Certa vez escreveu o arquiteto:
“O que me atrai é a curva
livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no
curso sinuoso de seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher
preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de
Einstein”.
Gosto de imaginar que Niemeyer já tenha lido
na vida a frase de Jack Kerouac que é o título deste post, aliás, uma
frase de que gosto muito. Por falar nisso, estou lendo On The Road
novamente, me preparando para a estréia do filme de mesmo nome no
cinema.
Mas agora, quero contar e registrar uma
história (antes que até eu me esqueça) dos tempos imemoriais de
faculdade. Certa vez, estava eu no MAC assistindo a uma palestra do
grande arquiteto Oscar Niemeyer. Digo grande, pois naquela época eu era
apenas um mero estudante cursando os primeiros períodos de arquitetura e
Niemeyer era uma figura mítica. Era tão mítico que eu podia guardá-lo
na mesma caixa de outras figuras míticas como o unicórnio, o fauno, a
sereia, o saci, etc.
A palestra foi como eram todas as palestras
do arquiteto. Ele fez alguns croquis, falou dos projetos, falou que o
MAC nasceu como uma flor que se debruça sobre a Guanabara, falou que a
arquitetura não era importante e o que realmente importava eram os
amigos e as curvas da mulher amada. Homem sábio.
Depois da
palestra formou-se um furdunço, uma fila descomunal de estudantes em
busca de um croqui assinado pelo mestre. Depois de 100 (literalmente)
estudantes chegava – finalmente – a minha vez. Niemeyer estava sentado
junto à uma mesa, com uma cadeira vazia ao seu lado.
Sentei na cadeira.
– Oi meu filho, tudo bem?
– Tudo, e com senhor?
– Qual é o seu nome?
– Rafael.
– Qual projeto você gosta?
– Eu queria a catedral (de Brasília)
Niemeyer
desenhou a catedral em um papel A4, colocou o meu nome, assinou e me
entregou o desenho, eu agradeci. Era a centésima primeira vez que ele
fazia aquilo naquela noite – já havia anoitecido e ninguém arredava o pé
da fila – faltavam ainda uns 150 estudantes. Já estava me levantando da
cadeira quando ele perguntou:
– Tem muita gente na fila aí fora?
– Sim, mais de 100.
Ele deu um sorriso ensimesmado e disse:
É meu filho, eu “tô fudido” mesmo.
Dei um sorriso e fui embora satisfeito com meu croqui assinado pelo Niemeyer.
aconteceu na FAU-UFRJ uma palestra da renomada arquiteta Zaha Hadid e
foi engraçado e prazeroso reconhecer nos estudantes – que esperavam por
uma dedicatória após a palestra – a mesma cara de bobo que eu ostentava
orgulhoso naquele dia da palestra do Niemeyer no MAC.

