Diário de bordo. Ouro Preto, eu fui!

Ah, que beleza que foi! Uma semana inteira vivendo e respirando
desenho e amizade em Minas Gerais. Essa experiência, do Encontro Nacional de
Urban Sketchers, já se tonou uma tradição em nossas vidas. E dessas tradições
boas, não das chatas! Um momento de parênteses nas nossas vidas, pra fazer tudo
ter um pouco de sentido, né?
Bom, mas o fato é que, pela quarta vez, me encontrei com
gente fantástica do Brasil todo e, numa comunhão de 300 sketchers, me deliciei
com a beleza de Belo Horizonte e Ouro Preto.
Nos primeiros dias participei dos três primeiros workshops
oficiais da história do Usk Brasil. Todos os parabéns possíveis à Ekaterina
Churakova pelo empenho em tratar com a direção internacional e organizar tudo
isso. Sei que não foi fácil. Os mestres Raro de Oliveira, Mateus Rosada e Kei
Isogai deram um show. Foram dias de muito aprendizado e partilha.
Já em Ouro Preto o difícil mesmo foi decidir o que desenhar.
Era beleza pra todos os lados que se olhava. Ao grande André Perdigão e todo o
povo fantástico do Usk Ouro Preto e Usk Belo Horizonte, todos os parabéns. Foi
um evento impecável.
Não é todo dia que se desenha uma cidade que é patrimônio
histórico da humanidade. Com justiça. Que cidade linda!
Me esforcei para tentar captar um pouco dessa beleza toda e apresento
aqui nos desenhos seguintes com pequenas legendas, apenas para contextualizar.
Vamos a eles!
No primeiro dia, não fugi ao clichê: fui direto à Praça da
Liberdade e fiz o Coreto com o edifício Niemeyer ao fundo. Domingo, praça cheia
de gente. Uma alegria danada desenhar com o sol se pondo…

Workshop do Raro de Oliveira. Fomos para aruá desenhar o cotidiano.
Apenas com duas cores. Chaga em mim um maluco e convoca sua horda e de companheiros.
Impressionado, o figura fica repetindo incessantemente: “Duas cô, mano. O cara
faz isso só com duas cô!!!”, no melhor sotaque mineires. Esperei ele se afastar
e registrei a cena. Segundo o Raro, ele entendeu perfeitamente o espírito da
aula! Kkkkkkkkk
Ainda na proposta das duas cores, mas agora com traço, registrei
a entrada do tradicional Colégio Arnaldo
Já de tarde, no Mercado Central, não resisti aos encantos do
Bar da Tia. Segundo alguns comentários, esse é um desenho do Raro. Então, acho que
aprendi bem, né?
O louco do Mateu Rosada, depois de nos ensinar tudo sobre
perspectiva, ponto de fuga e a técnica ninja do hang-loose, nos propôs um
exercício simples: 180º da Praça da Liberdade. Todos acharam que ele estava
brincando, mas era sério. Daí, deu no que deu!
Esses três desenhos foram feitos no sketchbook sanfonado da Hahnnemühle
durante a aula do Kei Isogai. Foi muito bacana poder registrar toda àquela
turma boa que estava aprendendo sobre o desenho de pessoas na composição de um
sketch. Sem contar que nessa aula aprendo onde está a linha do horizonte. Mas
não vou contar, não. É segredo, talkei?

Não poderia deixar de registar o local que abrigou os três
workshops, o Hotel Ronaldo Fraga. Um local tão encantador tanto por fora quanto
por dentro!

Nos dias em que saia do hotel para ir aos workshops, me
encantei por essa casa. Consegui fazer o registro no último dia!
Primeiro dia de Encontro Nacional. A Praça Tiradentes é um
verdadeiro marco. Não poderia ser em outro lugar. Desenhá-la já seria bom o
suficiente, mas desenhá-la acompanhado de 300 sketchers foi fantástico!

Dia 2, Igreja do Pilar. Optei por desenhar apenas uma parte
dela, pois queria registrar um pouco de toda aquela arquitetura colonial tão
característica da região

Igreja Nossa Senhora de Conceição. Esse desenho eu fiz acompanhado
das queridíssimas Alejandra Hernández e Ariane Borges, da janela do Restaurante
Dirceu. Tratava-se de um quadro pronto, já com moldura. Não pude ignorar! Ah, e
pra minha surpresa, encontrei lambrequins em plena Ouro Preto. É mole?

À noite, durante a confraternização, desenhei o trio Escritório
do Choro, que nos brindava com um som de primeira. E olhe que eu não sou nenhum
fã de choro… Esse foi um dos desenhos que mais gostei da viagem. Fiz de
primeira, sem esboço, em uns 10 minutos!

Ninguém acredita, mas deu uma ventania danada quando estava
desenhando a Igreja do Rosário, daí ela ficou assim. Não foi culpa minha, ok?

Tudo que é bom chega ao fim. Taí o desenho final da Igreja
São Francisco. Um misto de alegria e tristeza por estar me despedindo de toda
essa gente boa. Mas não tem nada. Rio 2020 já chega!